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Teatro Municipal

Mais de R$ 3,5 milhões foram investidos na construção do Teatro Municipal de Pomerode, inaugurado em 13 agosto de 2009. A obra realizada em parceria entre a Prefeitura e o Governo do Estado (que destinou R$ 2,4 milhões), com recursos do Funcultural representa uma conquista para a cidade e região, que passaram a contar com um espaço cultural qualificado, com capacidade para 498 espectadores.  
O projeto arquitetônico valoriza instalações comerciais e industriais, concebendo uma arquitetura peculiar. Busca elementos característicos, como telhados cerâmicos, alvenaria de tijolos aparentes e com reboco, estruturas de madeira e volumetria. Desta forma, o teatro se harmoniza com a arquitetura do conjunto onde está localizado o “Complexo Weege”, um dos mais importantes conjuntos industriais do Vale do Itajaí.
 O auditório traz o nome de Rodolfo Siewert - cidadão pomerodense com forte influência cultural em sua época. O Espaço Cultural homenageia Hermann Gehrmann – alemão empreendedor, proprietário do Hotel Oasis, sinônimo de requinte na Pomerode dos anos de 1950. A Praça Cultural foi denominada Marlene Dietrich, em referência a uma das maiores artistas alemãs.
 
 
Etapas e recursos
 
Em 2003 a área do Centro Cultural foi desapropriada pelo Município, pois se vislumbrava a realização de um leilão e a especulação imobiliária era muito intensa. Neste ano também foi realizado o tombamento em nível municipal do conjunto de prédios industriais, com o objetivo de preservá-los. Posteriormente, em 2006, o Município de Pomerode pagou o valor da desapropriação, no valor de R$ 300.000,00, e foi emitida a posse do imóvel.
 
Em 2007 foram iniciadas as obras do Auditório Semi-arena – o Teatro Municipal de Pomerode – com recursos do Município e do Governo do Estado de Santa Catarina, através da ex-Secretaria de Estado da Organização do Lazer [atual Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte.

Weege Indústria Alimentícia
 
A empresa Weege Indústria Alimentícia foi um polo de desenvolvimento da região. O “Complexo Weege” contemplava loja comercial, fábrica de tintas, fábrica de banha, frigorífico, fábrica de latas e caixas, defumador e fábrica de laticínios. Em quase toda família pomerodense há pelo menos um membro que trabalhou direta ou indiretamente na empresa durante seu período áureo de funcionamento.
 
A empresa tornou-se um referencial que os mais idosos usam para reportar-se a sua história. Ali aconteciam as grandes transações comerciais da cidade e a maior parte das decisões políticas do município. A empresa foi desativada em 1999 e quatro anos depois ocorreu a desapropriação do imóvel que vem a ser o Centro Cultural.

Rodolfo Siewert
 
Rodolfo Siewert nasceu em Pomerode, filho de agricultores. Foi o mais velho de nove irmãos. Muito cedo teve que se adaptar a responsabilidade do trabalho. Ajudava a família na lavoura e ainda jovem procurou o seu primeiro emprego: era o responsável pelo departamento de venda de porcelanas na Indústria e Comércio Hermann Weege.
 
Em 1949 casou-se com Ingrid Blank e em  1955, com as economias que conseguiu acumular com seu trabalho, mudaram-se para Balneário Camboriú, para administrar um empreendimento próprio, um hotel. Após três anos nesta cidade, por conta de alguns problemas de saúde, retornaram a Pomerode. Adquiriram então uma casa de comércio, fundando a Comercial Siewert, no ano de 1958.
Rodolfo Siewert era membro ativo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, tendo sido tesoureiro da Paróquia Evangélica de Rio do Testo durante 18 anos, e  responsável pela cobrança de todas as taxas da Igreja em uma época na qual não havia instituições bancárias na cidade. 
 
Sempre teve uma participação ativa no meio cultural, incentivando, como dirigente e mecenas, todos os segmentos culturais - música, teatro, dança, grupos folclóricos e clubes de caça e tiro. Participou ativamente da organização dos primeiros festivais de bandas e bandinhas de Pomerode. Na juventude foi grande incentivador do grupo teatral de Pomerode, o qual sua esposa Ingrid fazia parte. Presenteava a única filha, Gladys Dinah, a neta e amigos com livros, o que se tornou uma marca registrada. 
 
Pessoa muito dedicada à vida comunitária atendia muito bem a todos que o procuravam. Isto fez com que conquistasse uma grande simpatia de todos os pomerodenses, inclusive na vida política. Em 1976, o então prefeito Alwin Klotz  convidou-o para integrar a chapa majoritária para a sua sucessão, juntamente com o Henrique Drews Filho. Venceram a eleição por larga vantagem de votos e assim exerceu o mandato de vice-prefeito de 01/02/1977 até 31/01/1983. Mesmo não se candidatando a nenhum outro cargo eletivo, obteve grande respeito no meio político e todos ouviam seus conselhos para solucionar divergências e problemas entre os políticos atuantes na cidade. 

O Sr. Rodolfo Siewert faleceu em 20 de janeiro de 2004, vítima de parada cardíaca.
 
Marlene Dietrich
 
Marie Magdalene Dietrich nasceu em 1901, em Berlin. A partir de 1922 dividiu seu tempo entre o teatro e o cinema. Em 1929 foi chamada por Von Sternberg para interpretar o papel da dançarina Lola Lola, no filme “O Anjo Azul”. No dia seguinte, a estreia do filme – em 01/04/1930 – Marlene Dietrich foi ao encontro de Von Sternberg,em Hollywood e trabalhou com ele em mais seis filmes, contratada pela Paramount. Com “Marrocos” (1930), foi indicada ao Oscar de melhor atriz. O “Expresso de Shangai” (1932) tornou-se o maior sucesso da dupla Dietrich- Von Sternberg e elevou a alemã à ícone hollywoodiano, um ícone com muito estilo e brilho. 
 
Marlene Dietrich tornou-se cidadã americana em 1939, após recusar o convite de Joseph Goebbels, ministro da Educação e Propaganda do 3º Reich, para retornar à Alemanha. Marlene era a estrela que Hitler queria conquistar para fins de propaganda. 
 
De 1922 a 1978, atuou em 55 filmes. Durante este tempo, deu início à bem sucedida carreira de cantora. Sua voz rouca e sensual deleitou plateias, inclusive no Brasil. Esteve no Rio do Janeiro em 1959, quando gravou o LP “Dietrich in Rio”. Seu último grande papel no cinema foi em “Julgamento em Nuremberg” (1961).
 
Marlene morreu em 06 de maio de 1992, em Paris, mas foi sepultada em Berlin, atendendo ao pedido feito por ela para que fosse enterrada em sua cidade natal.
 
Hermann Gehrmann
 
O alemão Hermann Gehrmann chegou ao Brasil na década de 1920, acompanhado dos irmãos Heinrich e Bertha, em busca de uma oportunidade de vida. Cerca de um ano depois de sua chegada conheceu Ida, com quem se casou em 1925. Os dois não deixaram descendentes. Tiveram um bebê, mas conta-se que morreu de frio ainda recém-nascido. Ao casar, em São Bento do Sul, Hermann trabalhava na lavoura, o que não combinava com sua personalidade e desejo para o futuro. 
 
Hermann era curandeiro, e assim, ao chegar à localidade de Rio do Testo (Pomerode), começou a atender as pessoas que procuravam por cura. Os negócios na medicina popular deram lucro,  e o “hospital”, prédio construído com dinheiro da própria curanderia, foi construído. Com a perseguição por causa da prática de sua medicina alternativa pelo governo, Hermann decidiu transformar o local em um hotel. O Hotel Oásis abriu as portas por volta de 1946 e fechou-as entre os anos de 1963 e 1964. 
 
Hermann Gehrmann foi o responsável pela criação de um espaço que, pelo glamour, mexia com o imaginário da população local. Ele era viajado e tinha uma educação que inspirava a inveja. Amante de bons bufês e obras de arte, viajou muito e participou de edições consecutivas de festas no Palácio Quintandinha, no Rio de Janeiro. Trouxe de lá a inspiração para suas festas de luxo no Oásis. Tudo para que os convidados, naquelas noites de festa, tivessem a  impressão de que o mundo era apenas ali dentro.
 
O Hotel Oásis teve uma história curta, cerca de 15 anos. Mas o homem sempre visto com roupas sociais e bigode a construiu em cada detalhe de requinte – na comida servida, nas toalhas, nos móveis e nas cortinas. O hotel recebia orquestras internacionais em seus eventos pagos, para os quais recebia pessoas de todo o Brasil.
 
A esposa de Hermann faleceu em 1963, e desde lá os negócios desandaram. Ele deixou para trás Pomerode e sua maior paixão – o Hotel – no final da década de 1960. Foi morar em Joinville, na localidade de Pirabeiraba, com a irmã Bertha. Em 1977 Hermann muda-se para o Ancionato Bethesda. Apesar de todo o requinte com que viveu em seus anos no Oásis, precisou do auxílio do Pastor Burger para solicitar uma pensão ao consulado alemão – que foi o que o manteve, até o dia 01 de março de 1981, quando faleceu acometido de uma septicemia.

 

 

Rua: Hermann Weege, 111
Capacidade: 498 pessoas.
Informações 47 - 3387. 6801

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